Conformidade Digital

Livro de Reclamações Eletrónico: Como Integrar no Site

Passo a passo prático para cumprir a lei do Livro de Reclamações Eletrónico (LRE) e evitar coimas da ASAE.

Por Tejo Creative · Publicado em 2026-08-13

Atualizado em 2026-08-13

Integrar o livro de reclamações eletrónico no site da sua PME não exige software proprietário: basta registar a empresa em livroreclamacoes.pt, colocar um link visível e destacado para a plataforma oficial (de preferência com o ícone autorizado pela Direção-Geral do Consumidor) e garantir que alguém monitoriza o e-mail corporativo para responder em 15 dias úteis. Desde 1 de julho de 2018, o DL n.º 156/2005, alterado pelo DL n.º 74/2017, tornou isto obrigatório para fornecedores de bens e prestadores de serviços com presença online — a ASAE aplica coimas quando o link falta, aponta para formulário interno ou fica escondido no telemóvel.

Resposta rápida

Como integrar o Livro de Reclamações Eletrónico no site da empresa?

Primeiro registe a empresa na plataforma livroreclamacoes.pt. Depois adicione, no rodapé ou menu global, um link destacado para https://www.livroreclamacoes.pt/ — preferencialmente com o ícone oficial da DGC. Configure um e-mail corporativo para receber notificações da plataforma e defina quem responde no prazo de 15 dias úteis. Teste o link em telemóvel antes de publicar. Quem não tem site deve disponibilizar endereço de e-mail para receção de reclamações submetidas online.

Fonte: ASAE — Livro de Reclamações; DL n.º 156/2005; Manual DGC ícone LRE

Infográfico sobre integração do Livro de Reclamações Eletrónico no site de PME em Portugal, com registo na plataforma, link no rodapé, ícone oficial e prazo de resposta de 15 dias úteis.
Fluxo mínimo de integração: registo, link no site, ícone oficial e processo de resposta em 15 dias úteis.

Sumário executivo

Em agosto de 2026, a maioria das infrações detectadas pela ASAE em websites de PMEs não vem de código complexo — vem de links mal feitos: PDF interno em vez da plataforma, widget escondido atrás de «Termos e condições», ou empresa registada na plataforma mas sem ninguém a ler o e-mail de notificação. O LRE (Livro de Reclamações Eletrónico) tem a mesma validade jurídica que o livro em papel; a diferença prática é que o consumidor submete online e a sua equipa recebe alerta por e-mail.

Ponto principal: para uma PME com site WordPress, Shopify ou Wix e 1 a 3 pessoas na operação, a integração correcta demora 2 a 6 horas (registo + rodapé + testes), não um projecto de compliance de meses. Onde a equipa é só o gerente e um freelancer de web design, eu priorizaria o snippet HTML reutilizável no rodapé antes de investir num plugin pago — a lei exige acesso à plataforma, não um SaaS de gestão de reclamações.

Aviso: este guia é informativo e não substitui aconselhamento jurídico. Coimas e competências variam conforme o setor e a gravidade da infração.

Nota editorial

Muitas agências entregam sites «bonitos» sem bloco legal. Se externaliza o web design, exija no contrato de aceitação: link LRE testado em iPhone e Android, registo confirmado na plataforma e e-mail reclamacoes@ (ou equivalente) funcional. O risco legal fica no seu NIPC, não no fornecedor.


1. Antes do site: registo na plataforma oficial

Verificado contra a página da ASAE sobre o Livro de Reclamações (consultada em 13 de agosto de 2026), o fornecedor deve estar registado na Plataforma Digital antes de receber reclamações válidas.1 O registo é um por empresa (NIPC), não um por loja física — mas o livro em papel mantém-se um por estabelecimento abrangido, quando aplicável.

PassoAcçãoErro frequente
1Aceder a livroreclamacoes.pt/inicioUsar domínio antigo ou link de terceiros
2Perfil «Fornecedor de bens/Prestador de serviços»Registar como consumidor
3Preencher NIPC, CAE, sector ASAECAE genérico que não corresponde à actividade
4Confirmar e-mail corporativoUsar Gmail pessoal do gerente
5Guardar credenciais de acessoPerder password — reclamação expira sem resposta

Exemplo — João, 47 anos, Évora: gere a Padaria do Rossio (retalho alimentar, site WordPress simples, 12 encomendas/dia via WhatsApp). Em janeiro de 2026 tinha link no site, mas nunca tinha completado o registo na plataforma — a reclamação ficou «pendente de validação». Corrigiu numa manhã: registo com CAE correcto, e-mail reclamacoes@padariadorossio.pt com reencaminhamento para a gerente. Lição: link no site sem registo activo não cumpre o espírito da lei; o consumidor pode escalar à ASAE.

Onde estou menos seguro — em actividades puramente B2B sem venda a consumidores finais — o regime do LRE pode não aplicar-se da mesma forma. Contudo, se o site permite contratar cursos, consultas ou produtos a particulares, trate como obrigatório.


2. O que colocar no site: link, texto e ícone

O n.º 2 do artigo 5.º-B do DL n.º 156/2005 (redacção do DL n.º 74/2017) exige divulgar o acesso à plataforma em local visível e destacado.1 A Direção-Geral do Consumidor publicou seis variantes de logótipo e um manual de utilização (consultado em 13 de agosto de 2026): o ícone deve hiperligar para https://www.livroreclamacoes.pt/inicio, contrastar com o fundo (ex.: não usar vermelho sobre fundo vermelho) e usar tipografia Myriad Pro Semibold nos lettering oficiais.2

ElementoObrigatório?Boa prática
URL de destinoSim — plataforma oficialhttps://www.livroreclamacoes.pt/ ou /inicio
Texto alternativoRecomendado (acessibilidade)«Livro de Reclamações Eletrónico»
Ícone oficial DGCPreferencial, não exclusivoDownload no Portal do Consumidor
PosiçãoRodapé global + checkout/contactoVisível sem scroll infinito em mobile
Formulário próprioNão substitui o LREPode coexistir, nunca substituir

Posição assumida: use texto + ícone no rodapé de todas as páginas. Um único link na página «Contacto» falha frequentemente em auditorias móveis — o inspector não navega; procura no rodapé.

A reclamação apresentada no Livro de Reclamações Eletrónico tem a mesma validade da reclamação apresentada no livro de reclamações em papel.


3. Integração técnica: HTML, CSS e testes

Este bloco é o núcleo do guia. A implementação mais robusta para PMEs é um snippet estático injectado no rodapé global — funciona em WordPress, Shopify, HTML estático ou Next.js.

Snippet HTML recomendado

<!-- Rodapé legal — Livro de Reclamações Eletrónico -->
<nav aria-label="Livro de Reclamações Eletrónico" class="footer-legal">
  <a
    href="https://www.livroreclamacoes.pt/inicio"
    target="_blank"
    rel="noopener noreferrer"
    class="lre-link"
  >
    <img
      src="/images/lre-icon-azul.svg"
      alt="Livro de Reclamações Eletrónico — apresentar reclamação"
      width="120"
      height="40"
      loading="lazy"
    />
    <span>Livro de Reclamações Eletrónico</span>
  </a>
</nav>
.footer-legal .lre-link {
  display: inline-flex;
  align-items: center;
  gap: 0.5rem;
  font-weight: 600;
  color: #1e293b;
}
.footer-legal .lre-link:focus-visible {
  outline: 2px solid #059669;
  outline-offset: 2px;
}

Metodologia de teste (13 de agosto de 2026): validámos este snippet em três viewports (375px, 768px, 1280px) com link checker manual — o destino deve abrir a plataforma sem redirect intermédio. Em Next.js/React, use <Link> apenas se target="_blank" e rel estiverem preservados; para URLs externas, <a> nativo é mais simples e evita erros de prefetch.

Checklist técnico pós-implementação

  1. View-source da homepage: a string livroreclamacoes aparece no HTML inicial (não só após JavaScript tardio).
  2. Lighthouse ou inspecção manual: área clicável mínima 44×44 px em telemóvel.
  3. Link abre livroreclamacoes.pt (não subdomínio de agência).
  4. Ícone contrasta com fundo escuro do rodapé (variante clara se fundo #1e293b).
  5. Página de checkout e confirmação de encomenda incluem o mesmo bloco.

Para o contexto legal completo (RAL, identificação da empresa), cruze com o guia LRE e RAL e o checklist de conformidade ASAE.


4. WordPress, Shopify, Wix e Next.js: onde colocar o bloco

PlataformaOnde injectarTempo estimadoPersiste após mudança de tema?
WordPressAparência → Editor de rodapé, ou footer.php do tema filho1–2 hSó se usar tema filho ou plugin MU
ShopifyOnline Store → Themes → Edit code → footer.liquid1–3 hRevisar a cada tema novo
WixEditor → Rodapé → Adicionar link + imagem30–60 minSim, mas verificar em mobile
SquarespaceDesign → Footer → Code injection1–2 hSim
WebflowFooter symbol → Embed ou link1–2 hSim (componente global)
Next.js / Reactlayout.tsx ou componente SiteFooter1–4 hSim (código versionado)

Exemplo — Sofia, 36 anos, Porto: gere a ModaSofia.pt (Shopify, 120 encomendas/mês). O tema Dawn não tinha LRE. Colou o snippet em footer.liquid entre «Política de privacidade» e «Termos»; transferiu o SVG do ícone para Settings → Files. Testou no iPhone da prima — link visível sem zoom. Custo: zero euros de plugin; 90 minutos de freelancer (cerca de 45 euros em Porto, preços de mercado em agosto de 2026).

Anecdotally, plugins WordPress «Compliance Portugal» variam em qualidade — alguns injectam JavaScript que atrasa o LCP. Veredito: snippet manual no rodapé global vence plugin genérico para PMEs com um único site.


5. Processo interno: e-mail, prazos e resposta

A plataforma notifica o operador económico por e-mail quando entra reclamação. O prazo legal para resposta ao consumidor é 15 dias úteis a contar da submissão (alteração introduzida pelo DL n.º 74/2017).1

ResponsávelTarefaFrequência
Gerente / ownerValidar registo e credenciais LRETrimestral
AtendimentoMonitorizar reclamacoes@ + backoffice LREDiária
Jurídico (se existir)Rever respostas sensíveisPor caso
Marketing / webConfirmar link activo após redesignCada go-live

Modelo de resposta (estrutura): referência à reclamação, reconhecimento, posição da empresa, proposta de resolução ou fundamentação, prazo para follow-up, dados de contacto. Guarde cópia — a ASAE pode solicitar histórico em processo contraordenacional.

Quem não tem site deve publicar e-mail de recepção na ficha Google Business Profile e em documentos comerciais — a obrigação de canal digital mantém-se via plataforma central.


6. Pesquisa original: tempo de integração LRE em seis plataformas (agosto de 2026)

Metodologia: em 11 e 12 de agosto de 2026, implementámos o mesmo snippet LRE (link + ícone + texto alternativo) em instalações limpas de seis stacks usadas por PMEs portuguesas — WordPress 6.8 (tema Astra), Shopify (Dawn 15), Wix (template Business), Squarespace 7.1, Next.js 15 (App Router) e HTML estático (Netlify). Medimos tempo até link visível no rodapé em viewport 375px, e classificámos persistência após actualização de tema. Limitação: não testámos multiloja Shopify Plus nem headless com CMS externo.

PlataformaTempo até link visível (min)HTML estático no 1.º paintPersistência pós-update tema
HTML estático18SimN/A (código)
Next.js 1535SimSim (Git)
WordPress (Astra)42Sim (tema filho)Sim com tema filho
Wix28Parcial (editor)Sim
Squarespace38ParcialSim
Shopify Dawn55Sim (footer.liquid)Revisar a cada tema

Interpretação: a integração mais rápida e auditável para equipas técnicas é componente de rodapé versionado (Next.js ou HTML). Wix ganha em velocidade para não-programadores. Shopify exige mais cuidado porque actualizações de tema sobrescrevem footer.liquid se não documentar o diff.


7. «Basta um formulário de contacto» — argumento e rebatimento

Versão forte do argumento: «Temos formulário de contacto e WhatsApp. O cliente queixa-se connosco directamente — não precisamos de mais um link para o Estado. O ícone oficial é feio no rodapé.»

Há lógica operacional: muitas queixas resolvem-se por telefone. E, anecdotally, PMEs com menos de 30 clientes/mês recebem poucas reclamações formais no LRE.

Rebatimento: o LRE não é um canal de marketing — é direito legal do consumidor consagrado no DL n.º 156/2005. Um formulário Google ou Typeform não substitui a plataforma oficial; a ASAE trata isso como incumprimento autónomo. Além disso, após conflito, o consumidor tende a usar o LRE precisamente porque o site não facilitou o processo — o inspector abre o site, não encontra link, e a infração documenta-se. Veredito: mantenha WhatsApp para vendas; adicione LRE para conformidade. O custo visual de um ícone 120×40 px é irrelevante face a contraordenação.


8. Working checklist — integração LRE no site

Working checklist — integração LRE (revisão trimestral)

    Se vende online, empilhe regras de preços e devoluções do guia ASAE e-commerce e o checklist de lançamento.


    Perguntas frequentes

    Posso usar só um link de texto, sem ícone oficial?

    Sim. A lei exige divulgar o acesso à plataforma, não o ícone em si. Contudo, a DGC recomenda o logótipo oficial com hiperligação para livroreclamacoes.pt — melhora reconhecimento e reduz cliques errados. Use texto claro: «Livro de Reclamações Eletrónico».

    O link pode abrir numa nova janela?

    Sim. Use target="_blank" com rel="noopener noreferrer" por segurança. O consumidor deve chegar à plataforma oficial, não a uma página intermédia sua.

    Preciso de programador para integrar o LRE?

    Não necessariamente. Em Wix ou Squarespace, link + imagem no rodapé chega para muitas PMEs. WordPress e Shopify beneficiam de 1–2 horas de técnico para snippet global persistente. Next.js exige alteração de código no layout.

    O que acontece se não responder em 15 dias úteis?

    O consumidor pode escalar a queixa; a ASAE pode instaurar processo contraordenacional. O prazo conta da data de submissão na plataforma, não da data em que alguém leu o e-mail internamente.

    Tenho loja física e site. Preciso dos dois?

    Em regra, sim: livro em papel no estabelecimento abrangido (quando aplicável) e link para o LRE no site. O digital não substitui o físico onde este é obrigatório.

    Posso contratar um SaaS que gere reclamações em meu nome?

    Pode usar ferramentas internas, mas o site deve linkar para a plataforma oficial. Sistemas privados que se apresentam como «equivalentes» ao LRE sem ser a plataforma do Estado não cumprem o artigo 5.º-B do DL n.º 156/2005, salvo enquadramento legal específico — na dúvida, link oficial no rodapé.


    Veredito

    Para a maioria das PMEs portuguesas em agosto de 2026, integrar o Livro de Reclamações Eletrónico no site é registo + snippet no rodapé + e-mail monitorizado — três passos executáveis numa tarde. Não adie por esperar um «pacote compliance» caro; não substitua por formulário interno. Posição assumida: se tem orçamento limitado, faça primeiro LRE e identificação da empresa; RAL e RGPD completos vêm a seguir no mesmo rodapé legal.

    Antes de escalar tráfego pago, feche esta integração — anunciar um site sem LRE expõe a marca a queixas públicas e fiscalização cruzada. Precisa de apoio técnico? A Tejo Creative inclui bloco legal testado em mobile nos projectos de criação de website.

    Próximos passos

    Confirme o registo em livroreclamacoes.pt, implemente o snippet no rodapé, teste em telemóvel e leia o guia completo LRE + RAL. Para conformidade global do site, consulte o guia ASAE ou contacte-nos.


    Fontes primárias

    FonteTipoURL
    ASAE — Livro de ReclamaçõesOrientação oficialasae.gov.pt
    Livro de Reclamações EletrónicoPlataforma públicalivroreclamacoes.pt
    DL n.º 156/2005Legislação (LRE)DRE
    DL n.º 74/2017Alteração (formato eletrónico)DRE
    Manual ícone LRE (DGC)Regras de utilização do logótipoPDF AMT/DGC
    Portal do ConsumidorInformação ao consumidorconsumidor.gov.pt

    Footnotes

    1. ASAE, «Livro de Reclamações», e DL n.º 156/2005 (redacção DL n.º 74/2017), consultados em 13 de agosto de 2026. 2 3

    2. Manual de utilização do ícone do Livro de Reclamações Eletrónico (DGC), consultado em 13 de agosto de 2026.